A saga de um rebelado contra ‘la mala educación’
(uma crítica-comentário de dês-ordem pedagógica, ou, do interesse daquele que leciona e sofre, mas não se entrega)
Em todo caso, não fui eu quem matou a Educação, só estava junto. Não quis ser cúmplice nem nada. Também, porque fui olhar... Droga! Imbecil! Ser professor de ‘cursinho’ não é tão fácil como alguns pensam. Na verdade, no Brasil, ser professor não é nada fácil, seja onde for como for. ‘Eita’ categoria mais mal tratada! E eu, fui escolher bem essa profissão, essa luta, essa empreitada. Agora não tem volta, já que estou nisso, nisso prossigo, quero ver aonde vai dar.
Entre aulas e aulas, fui convidado para dar algumas em uma cidade vizinha, que diferente da minha, ainda mantém o ‘X’ como letra inicial do seu nome. Aí fica fácil, não fica? Então... Se é algo que possuo, no sentido de ter, não de possuir enquanto propriedade privada, ou apenas bem de consumo, mas sim, como instrumento e bagagem, é uma diversidade considerável de material. Independente do nome dado ao material, a verdade é que tenho bastante, e o utilizo nas aulas de literatura, linguagem e redação (sempre que posso: observação importante). São livros e livros, filmes, obras, cds, dvds, etc. No caso das aulas na cidade vizinha da qual me referi já acima, aquela que começa com ‘X’ no nome, o material diversificado e tudo mais, foi ignorado por parte dos alunos de uma única turma com a qual trabalhei. Antes fosse só o material. Bem pontuado: As aulas foram ignoradas. A diretora foi ignorada. A organização da escola foi ignorada. Eu... bem, eu não deixei ser ignorado. E foi aí que a ‘cobra fumou’. Não gosto de chamar a atenção, ainda mais de marmanjo ou marmanja que tem o privilégio de estudar em escola particular com os pais pagando a mensalidade no final do mês. Estes deveriam prezar pela condição que se encontram (e alguns inteligentemente prezam), levando em conta, que muitos que não estão nessa, gostariam, e como! Eu mesmo, ralei para ter minha educação, magrinha! Mas tive. E me esforcei para chegar... Opa! Onde estou agora? Se isso for uma resposta, e é: dando aulas de literatura, construção textual (redação) e linguagem, em cursos, os ditos cursinhos pré-vestibular e ENEM, além de tocar com minha banda de rock volta e meia e escrever e ler poesias por aí, para o que ainda resta da humanidade. E vou dar aulas ainda de Sociologia e História, em breve... Creio.
Sempre estou aberto para novas experiências (mas não levem isso ao pé da letra), e nisso, me construo dia a dia, até o dia do derradeiro suspiro, aquele que não marca data nem local, mas vem, sempre, no final. Nisso, construo minhas aulas, acima daquilo que tenho em mãos e do que as escolas e/ou cursos me passam (apostilhas, livros, dvd’s, etc.). Neste caso da cidade ‘X’, me empenhem, muito, fiz o possível e mais um pouco para criar um ambiente coletivo, onde TODOS pudessem comungar do momento, ou pelo menos com as chances de incorporação iguais. Mas o golpe veio e trouxe consigo o desleixo e falta de respeito, vontade e humildade de ALGUNS alunos. Da parte da Escola, sinceramente, não sei. Tudo muito vago, e é só o que posso dizer. Um professor desamparado pelo sistema, e a escola não me deu respostas a altura, assim como parte desses alunos. A pior turma com a qual já tive o dês-prazer de trabalhar, não fosse alguns alunos de boa vontade e curiosidade mais aguda, com sede de conhecimento e coragem de querer enfrentar o mundo como ele é, duro e complexo. Ouvi, acatei dicas de alunos, não alterei a voz nem o tom ao ponto da injúria, apenas usei o que acredito, o bom senso e o diálogo. Mas a linguagem que parte daqueles alunos conhece é a da punição, ou seja, da nota. E isso, no curso em questão não existe. Fui cobrado: ‘Deve seguir a apostila’. Ok! Fiz. Mas a desconstrução e interlocução não pode parar por isso. Mantive os slides, os livros, a relação entre os vários conhecimentos, o debate, a cultura da colaboração, da interatividade, e tentei, tentei, me centrar mais na apostila. Até que a diretora me ligou dizendo que alguns alunos reclamaram: eu estava atrasado (?), isso relacionado às apostilas. Talvez, estes nem tenham se tocado, por falta de atenção e interesse dos mesmos, que quase tudo de duas apostilas eu já havia passado em slides, e assim mesmo, sempre voltei às apostilas. Aí tive que dizer respeitosamente para a ‘dire’: “Pergunta para esses alunos se eles levam as apostilas na aula!” Eis meus caros! Sempre a mesma coisa: “Ah professor, esqueci a apostila!”. Encaminhei mais de 4 redações para ajuda-los, levando para casa, lendo, fazendo as devidas considerações, e, de 15 a 20 alunos, uns 5 apenas me entregaram alguma redação, e metade deles ainda, fugindo do que eu havia encaminhado e proposto. Então, alguém pode me dizer se sou eu, o professor, o responsável por isso? Só depois fui entender porque naquela turma/escola, haviam passado uns 7 professores de literatura/redação (segundo a própria ‘dire), antes de ‘yo’. Não bastou utilizar da linguagem, do modo de proceder mais informal, adaptado e ligado aos alunos, aos seus modos de comunicação, pois a falta de interesse de alguns, prejudicou outros, na verdade, atrasou, aqueles que realmente estavam (estão), ali para se construir em pessoas mais livres e plenas. Chegou o ponto em que eu tive que escolher, ser um pouco seletivo, para não prejudicar mais aqueles que ali estavam de mãos dadas com a dedicação e vontade de saber mais. A troca é sempre válida quando se há algo para trocar. Agora, milagres (transformações), não acontecem sem terreno propício para tal, e o professor não é nenhum messias. A arrogância, a falta de conhecimento e bom senso de alguns prevaleceu, por algo estar legitimando isso, e este algo não era eu. Mas a vida faz curvas e o mundo gira. Muitos vão lembrar de mim, se vão! Bem ou mal, na hora do ENEM e/ou vestibular. Falando nisso, a escola não levou em consideração, assim como os alunos reclamantes, que o que eu havia tratado nas aulas, grande parte, caiu no ENEM (naquela prova que foi roubada), inclusive o tema de redação. Tiro certo e de um ‘ticano-zapatista-oestino’ rápido no gatilho. Enfim... continua a batalha dos professores-radiantes-produtores contra o império da mesmice-mediocridade-reprodutora.
& Fiat lux...






